21 Setembro 2006:
"Olá faculdade. Olá manhãs e tardes ocupadas. Olá "metro, túnel, confusão". Olá pessoas estranhas. Olá fadiga. Olá, qual é o seu número? Olá, o meu nome é 4375. Olá? Não, não está ninguém. A Chaka mudou de nome. Olá, o seu número por favor. Olá, eu sou a Chaka e o meu nome é 4375. Olá? Já disse que não está ninguém. Olá..."
4 Outubro 2006:
"Então ficamos assim. Afinal Deus não deve ser muito real e não me parece que sejamos feitos de vómitos. Bem, algumas pessoas são. Pânico, talvez. Não gosto muito de luzes vermelhas que depois são verdes e depois ficam vermelhas de novo para logo a seguir mudarem para verde. E por aí a fora. Senhor Deus, arranja me um apagão geral. E assim não há verdes e vermelhos e laranjas e azuiz e rosas e amarelos e roxos para ninguém. Eu já acredito em tudo... és tudo?
Ps- Eu estou bem, vocês é que não percebem nada. E sou fria, pelo que dizem. (...)"
11 Outubro 2006:
"Ps- Fria e parva e arrogante. Peço desculpa. É tudo música e a mim (ainda) não me apetece dançar."
15 Outubro 2006:
"É isso. Não me apetece dizer mais nada. Estou aqui. Olá? Não, não, não. Fraca. Esqueci me do meu nome. Acho que sou um número e esqueci me do meu código. Ahah confusão demais. Frágil e fraca e essas coisas todas porque sim. Piiiiii [censura]. Há muita coisa cá dentro. Umas não querem sair, outras eu não deixo. Frágil, frágil, frágil. Amor. Piiiiii [censura]. Ninguém percebe isto, nem eu. Não acredito em quem disser que percebe.
Ps- Apetece me dançar um slow e molhar o ombro a alguém. Isso já conta?"
19 Outubro 2006:
"Ok. Ok. Está bem Computador. Dói me a barriga. Dá beijinho e depois coisa te. Eu fico quietinha, não mexo, não respiro, não falo, não oiço, não cheiro, não vejo, não choro. Chama me 4375, por favor. Só um miminho e depois vai te embora. E a barriga deixa de doer. Ah ah ah ah. Já disse para me chamares 4375. Eles falam ao meu ouvido, os senhores que tu sabes. E os risos deles, oh oh os risos! Dizem que sou eu. "Brain damage, és tu!". Sou eu. Quando não estou com dores de barriga. E quando estou também. Olha olha, sinto me pesada. 4375, mantém te quieta senhora!"
23 Outubro 2006:
"Cala te. Cala te. Cala te. Está bem computador? *a Chaka anda às voltinhas com os braços no ar e a gritar e a rir como uma doida* São as galinhas! E há quem diga que eu sinto e que isso é raro hoje em dia e que é por isso que gosta de mim. Ah ah! Amo te. Percebes?"
29 Outubro 2006:
"Só queria dizer que não gosto de cães. Não é de todos os cães mas apenas de alguns. Ok, acho que agora sé me consigo lembrar de um que não gosto. O sacana que me mordeu em Vilar de Mouros enquanto esperava na fila para comprar leite chocolatado (eu é que esperava na fila, não o cão [e agora podem gozar comigo por ser o único ser que vai para um festival e é mordido por um cão]). Está bem que o pisei mas foi sem querer, não sabia que ele lá estava. E se eu fosse um cão e me pisassem, também tinha mordido quem o fizesse. Mas prontos, ele podia muito bem ter sido mais compreensivo. Passei uma data de tempo no centro de saúde e a culpa foi... coiso. Por isso, não gosto de cães. Não levem a coisa como uma ofença pessoal, mas os cães são uns cães! E depois oiço alguém dizer no fim de um jogo qualquer, "Todos os cães têm sorte!". E depois alguém também diz que "há cães que te querem ver de boa saúde.". Mas cães, são cães. Tirando isso, até que são boas pessoas... Digo, animais."
1 Novembro 2006:
"Dói me a cabeça. Demais. Sinto os olhos a revirar e o nó na garganta. Só quero que a guerra acabe para nos voltarmos a encontrar. Outra e outra vez. E o meu nome é 4375. Todos precisamos de um mais cedo ou mais tarde. Há luzes no ar, menino. A guerra chegou e parece que é para durar. Pega na arma e vai tu à frente, os meus olhos reviram demais para isso. E já te disse que dói me a cabeça, prefiro esperar. "Não vai acontecer nada se continuares à espera, menina! Levanta esse rabo e corre!". É melhor esperar pelos outros, Computador... Olá, eu sou a Chaka e o meu nome é 4375. E o teu?
Ps- Pah Computador , eu só quero mesmo que a guerra acabe, sabes?!"
6 Novembro 2006:
"Qualquer coisa do género: "A pequena Princesa perdida no País dos Monstros". Agora faz sentido... Eu já disse que só queria mesmo dizer que gosto muito de ti, demais. E já disse que por isso não me importo com que o que és. Porque também custumo andar monstruada, já disse. E eu só te consigo ver como o Leonel. E tu consegues ver dentro dos meus olhos e acho que os monstros não conseguem fazer isso. Humm não me parece menino L."
Escrevo sem pensar no sentido que as coisas fazem. O que penso é o que sai para fora no momento, daí as coisas confusas. Pensamentos estranhos, confusos, difusos, que se arranham e mordem uns aos outros para serem os primeiros. Mas no fim acabam todos sobrepostos. E são pessoas.